TAROT


No ocultismo ocidental tradicional, se reconhece ao Tarot como a pedra fundamental para todo o entendimento do sistema filosófico conhecido como Hermetismo. O Tarot é uma ferramenta filosófica que possui a finalidade de aconselhamento pessoal para a busca e mudança interior.
Acredita-se que o Anjo Metatron tenha transmitido os conhecimento do Tarot à humanidade.

I – O Tarot para a Espiritualidade Mística de Motosofia é absorvido como uma ferramenta filosófica ocultista, é a Matemática aplicada do Absoluto, constituindo assim no que se denomina de loteria de pensamentos fundamentados em bases exatas como os números da cabala;
II – O Tarot é composto por 22 Arcanos Maiores, o que leva a construção total do que é o Tarot. É o Tetragramaton.
III – O Tarot é neutro; não pertence a nenhuma religião ou ramificação esotérica e mística, é um conhecimento dado à humanidade;
IV – Não é bom nem mau em si mesmo; não consiste em adivinhação exata do futuro;

V – Todo o sistema se baseia no Princípio Universal que se põe manifestado em cada esfera da vida, o que se chama de “Lei” – Tetragramaton ou também o Tetrad dos herméticos.


 Da finalidade Mística e esotérica do Tarot para Motosofia:


I – O Tarot é uma “ferramenta” esotérica e mística de aconselhamento;
II – O Tarot Místico de Motosofia segue os seguintes princípios filosóficos:

§ As consultas de Tarot seguem a norma de orientação e aconselhamento pessoal para os “consulentes”, com a finalidade última de apontar quais os caminhos a serem percorridos para o despertar da Iluminação Interior e a Felicidade;

§ O Tarot Místico de Motosofia têm como objetivo apontar caminhos para a mudança interior, e não sendo somente uma ferramenta de mera adivinhação futurística, sendo que os fatos do futuro são incertos e contingentes;

§ As consultas de Tarot não devem ser utilizadas para afrontar ou denigrir a imagem do consulente, como forma de apontar erros e defeitos, como forma de punição ou distende-lo para o mal;

§ As orientações do Tarot Místico de Motosofia prezam pela Vida em harmonia com as três dimensões do ser humano: Mental, Astral e Físico. 
  









A maior preocupação e que inquieta o ser humano é sua temorosidade em relação aos fatos futurísticos de sua espécie. Mantendo fortes ligações com a Alquimia, Cabala, Numerologia, Misticismo (Pagão e Cristão), Filosofia Ocultista entre outros.

O Tarot pode ser amplamente explorado na Psicologia, dando origem as consultas terapêuticas e até mesmo explorar reencarnações passadas.



















MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

Para compreender plenamente O Louco, primeiro é necessário compreender o porque da situação tão especial deste arcano sem número, fora da ordem estabelecida.
Passado O Juízo e chegados ao Mundo, é dizer, finalizar uma etapa da evolução, só existem duas possibilidades: O Juízo têm sido favorável, a evolução terminou e já não existe a necessidade de novas encarnações, ou tem sido desfavorável e é necessário voltar a encarnar-se para conseguir a próxima vez. 
No primeiro caso, será alcançado a perfeição e é o único caso  em que poderíamos aceitar para esse arcano o número 22 em sua forma de 22 = 3 + 7 + 12, o que converte na soma dos três aspectos da criação, é dizer numa totalidade final; e apesar que sua soma total segue sendo 4, a estabilidade perfeita, agora podemos aceitá-lo como estabilidade ou perfeição definitiva, fora do espaço e do tempo.
No segundo caso - o mais corrente - a evolução deverá prosseguir voltando-se ao Mago, e é aqui quando podemos fazer uma comparação muito ilustrativa.
Em efeito, enquanto O Mago é livre e tenta alcançar a harmonia e o equilíbrio entre a espontaneidade do inconsciente e ação meditada do consciente, o que permite conhecer, seguir, e inclusive aproveitar das leis humanas e naturais, O Louco não é, pois se move num mundo, onde estas leis não existem, e enquanto O Mago tenta ser dono do seu próprio destino, ao Louco lhe e totalmente impossível, pois este ainda está se determinando e esta determinação está totalmente fora do seu alcance. Daí sua falta de equilíbrio e orientação, que só alcançará quando se converter no Mago.
No primeiro caso, O Louco será um iluminado, um santo, um gênio; no segundo, um Quixote inconsciente para qual o passado e o futuro se confundem sem que nada lhe alcance nem motive, pois é um brinquedo das correntes do destino.
Por tudo isto, podemos considerar O Louco como um modelo ou uma advertência: um modelo sobre o poder daquela liberdade de consciência que transcende as coisas deste mundo, mas também adverte do enorme perigo que envolve tentar tal transcendência sem ter alcançado o nível de consciência necessária, com o qual se cai a irresponsabilidade e a loucura.





Em resumo, no seu sentido Elemental, O Mago representa o Homem em presença da Natureza, com o poder de gerenciar suas correntes.

MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO


Este Arcano nos leva a ver a relação entre o esforço individual e a realidade espiritual, pois antes de tudo devemos aprender a concentrar e acalmar a mente, para transformar o trabalho em jogo e que todo o jugo ou Karma nos apresente rapidamente.
O fator decisivo para o verdadeiro trabalho interior é uma vontade desinteressada e equânime; o Yoga, por exemplo, exige a prática das cinco regras da atitude moral (nyama) e as cinco regras da mortificação (niyama) antes de iniciar as asanas (as posturas) e o pranayama (respiração controlada) e, como é natural, antes da prática dos três graus do trabalho interior: concentração, meditação e contemplação.
A expressão distendida do Mago nem sequer é preciso olhar para ver o que está fazendo, mas é um exemplo da verdadeira concentração. Portanto, O Mago é necessário se libertar de toda a atividade intelectual ou imaginativa e permitir que sua inteligência corporal tome as rédeas.
Quem deseja praticar a verdadeira concentração deve aprender antes de tudo, o relaxamento, para permitir que o Ser interior surja e substitua a atividade mental temporal e consciente.
Outro ensinamento básico dessa lâmina reside em seu número: a unidade. E não só a unidade como representação do que é o UNO, sendo também a unidade do todo criado, base da lei de analogia baseada na Tábua esmeraldina de Hermes Trimegisto, que diz:
"O que está abaixo é como o que está acima, e o que está acima é como o que está abaixo, para realizar o milagre de uma só coisa."
Assim como O Mago ou o Malabarista devem trabalhar e exercitar ao longo do tempo pára conseguir desenvolver o relaxamento, nós também devemos dispor de um longo tempo para exercitar a prática da concentração, meditação e contemplação para chegar a perceber diretamente as correspondências analógicas, é dizer, até convertermos em homens que tem alcançado a Harmonia e o Equilíbrio entre a espontaneidade do inconsciente e a ação meditada do consciente.




MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO


No reino da dualidade é universal e faz que tudo seja ambivalente, que em tudo existe uma polaridade, que ao bem se oponha o mal, a luz a escuridão, a energia a matéria e, por ele, a dualidade seja a limitação do ilimitado. 
Chaude de Saint-Martin em seu livro Dos Nomes, afirma ao estudar o Dois:
"Quando contemplamos uma verdade importante, por exemplo a onipotência do Criador, sua majestade, seu amor, suas luzes profundas ou qualquer outro de seus atributos nos voltamos por completo neste supremos modelo de todas as coisas; todas nossas faculdades se suspendem para enchermos Dele e nos fazermos realmente Um com Ele...
Mas se depois voltarmos nossas faculdades contemplativas nesta fonte universal, dirigimos nossos olhos a nós mesmos e nos enchemos de nossa própria contemplação, olhando para nós como princípio das claridades ou satisfações internas que essa fonte nos tem procurado, enquanto que nesse mesmo instante estabelecemos  Dois centros de contemplação, Dois princípios separados e rivais, Duas bases desvinculadas entre si; em suma, estabelecemos Duas unidades"...
A dualidade implica, portanto, o estabelecimento de dois centros de contemplação, dos princípios separados e rivais.
Assim como prediz o Sefer Yetsirá:
"Dois é o sopro que vem do espírito, nele estão gravadas as vinte duas letras, que formam um sopro único."
O Dois, será pois, a origem do livro da Revelação; o número da consciência, do conhecimento do absoluto.
Em efeito, a primeira etapa é a reflexão pura, a segunda é a sua fixação na memória e, a terceira é sua conversão em mensagem ou palavra interior, que posteriormente, ao formulá-la exteriormente se converte em mensagem, livro, em gnosis; é dizer, em mística do conhecimento.
Se O Mago apresenta-se de pé, para indicar que está pronto para a ação, A Papisa está sentada, indicando reflexão e meditação; se refere, portanto, ao desenvolvimento do sentido contemplativo, do ouvido espiritual que nos põe em contato com a verdade imutável que nos vem do alto. 





MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO


Na numerologia podemos dizer que o ternário simboliza a influência do espírito sobre a matéria, do ativo sobre o passivo, sendo seu resultante a harmônica expressão da totalidade. O Mago é o princípio ativo, A Papisa o princípio passivo e, A Imperatriz sua resultante, o terceiro lado da tríade; se O Mago era a energia pura e A Papisa a matéria ou substância fundamental, A Imperatriz será a transformação da matéria. Se O Mago era a vontade e A Papisa a sabedoria, sua união e resultado na Imperatriz será o poder.
Pois saber sem querer é um saber passivo, incapaz de resultados efetivos; e querer sem saber é um gasto inútil de energias. O verdadeiro saber é aquele que se junta ao saber e ao querer, o conhecimento e a vontade, é assim que podemos concluir que no Tarot, O Mago + A Papisa = A Imperatriz.
O poder total tem um nome: magia. De acordo com Papus: "A magia é aplicação da vontade humana dinamizada à rápida evolução das forças vivas da natureza".
A Espiritualidade Mística de Motosofia e outras searas esotéricas admite e ensina que o Universo se divide em três planos ou princípios fundamentais de existência: espiritual, astral e físico, englobando no primeiro os planos superiores, desde o mental  ao espiritual. No segundo plano de matérias e energias sutis e terceiro e propriamente físico.
A magia possui três classes no conjunto que atua: espiritual, astral ou físico. A magia que atua no plano espiritual é o misticismo, a religião, a magia sagrada; a que atua no plano astral é a magia comum; e a que atua no plano físico é a ciência.
A Imperatriz é a magia total, e em seu nível mais elevado é a magia sagrada, pois constitui um poder que recebemos do alto, e em seu sentido ascendente é o misticismo que nos eleva a divindade. É por ele que o fim da magia sagrada é o de devolver ao homem sua verdadeira liberdade, seu estado primigênio, liberando-se do Karma, da cadeia das reencarnações.





MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO


Numa análise retrospectiva dos arcanos anteriores é curioso como O Mago, cabalística e astrologicamente se assemelha com o primeiro caminho; ao segundo sefirá e a Urano, A Papisa ao segundo caminho; ao terceiro sefirá e a Saturno. Mas na Imperatriz essa ordem parece balançar, pois sua assimilação ao terceiro caminho, ao quarto sefirá e a Júpiter é problemática, e O Imperador é possível identificá-lo com o quarto caminho, mas não com o quinto sefirá e Marte.
Mas nós também observamos que A Imperatriz e O Imperador são dois aspectos de uma mesma coisa, duas facetas do poder, espiritual na Imperatriz e material no Imperador. Também na árvore da vida dos caminhos, terceiro e quarto, se cruzam entre si para formarem uma cruz, sendo o terceiro o segmento vertical (Céu-Inferno) e o quarto horizontal (Princípio-Fim).
Astrológica e cabalisticamente, é como se na cruz de ambos os caminhos - em Daat- se abre uma porta para que a influência de Netuno se una a Júpiter no terceiro caminho, o que equivale a assimilar A Imperatriz com o terceiro caminho e Daat no cabalístico e, com Júpiter-Piscis no astrológico. Enquanto ao Imperador, sua equivalência seria com o quarto caminho, o quarto sefirá e a Júpiter-Sagitário.  
Na coleção de cartas que denominamos Tarot de Mantegna, existem duas cartas quase iguais: Júpiter e O Imperador.
Júpiter (lâmina 46) aparece representado dentro de uma mandoria sobre a montanha de Marte, com o raio em sua mão direita e a água com as asas entreabertas em cima da mandoria. O Imperador aparece sentado no seu trono, no lugar do raio mantém um cetro e a água descansa em seus pés. Esta dupla representação do mesmo personagem, como Júpiter é um poder ativo e até certo ponto ameaçador; como Imperador, representa um poder passivo e relaxado, quase dormindo, mas que pode despertar e atuar em qualquer momento. Como vemos, as primeiras cartas já existe esta separação entre as duas imagens de Júpiter tonante assombrador do poder soberano, e de Júpiter pai, presidente do conselho dos deuses, aquele a quem emana toda lei e autoridade.
Voltado a árvore da vida, nós vimos que o terceiro caminho é um meio de comunicação, direto e sem intermediários, entre o mundo dos arquétipos e o mundo da criação, enquanto que o quarto é a dobradiça entre ambos os mundos, o guardião que os separa. Agora sim podemos assimilar O Imperador com o quarto caminho, ao quarto sefirá e a Júpiter-Sagitário. 




MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

Dissemos que A Papisa era a ciência oculta que é transmitido após profunda meditação e recolhimento, o que espera do iniciado ao limiar do santuário. Definimos o poder da Imperatriz como poder da magia.
Se consideramos O Papa como uma síntese da Papisa e da Imperatriz, devemos dizer que nos facilita alcançar a sabedoria graças à magia, ou potencializar mais, graças à magia cerimonial, pois qualquer um que conheça a magia deve reconhecer que os sacramentos e cerimônias religiosas, seja qual seja a religião que nos refiramos, não são mais que cerimônias mágicas destinadas a aproximarmos um pouco do reino da divindade e, com ele, a sabedoria transcendente.
Enquanto nos mantermos no domínio da magia sagrada, o pior que pode acontecer, e quase sempre ocorre desgraçadamente, será a perda do sentido profunda da cerimônia mágica para convertê-la numa mera rotina vazia de conteúdo, perdendo valor o real. O verdadeiro perigo se apresenta quando o enorme poder da magia cerimonial se emprega para fins egoístas e materiais, descendo ao nível da magia negra.
Já dissemos que o cinco é um número maléfico, coisa que deveria esclarecer, e para isso nada melhor que Louis-Claude de Saint- Martin quando afirma: 
"Enquanto os números estão unidos e ligados a década, nenhum deles apresentará corrupção ou deformidade; só quando se separam apresentam estes caracteres. Entre estes números assim particularizados, alguns são absolutamente maus, como o dois e o cinco. Inclusive são os únicos que dividem a década."
Ele nos diz que o cinco é bom se ligado e unido à década, quando se está ligada a plenitude da manifestação, e é mau quando se separa dela, ou seja, quer atuar por conta própria e em seu próprio benefício. Isto em termos de religião ou magia, o cinco e o pentagrama são bons como símbolo e atividade dentro da magia sagrada, e mau como símbolo e ação dentro da magia vulgar.
Voltando ao princípio, diremos que a diferença real entre religião e iniciação reside em que a primeira é acessível a todos, somente com boa vontade e desejo de perfeição para tirar da mesma um bom proveito espiritual, enquanto que a iniciação requer um grande esforço pessoal para alcançar primeiro um cero nível moral e intelectual que nos permite recebê-la. Pode-se dizer que a religião é uma estrada confortável que nos conduz ao destino desejado, enquanto que a iniciação é um áspero atalho para os que têm pressa.
No entanto, ele quer nos dizer que a religião representada pelo Papa seja algo passivo, pois já vimos que é duplamente ativo por ser representado por uma figura masculina e um número ímpar e, o trabalho do Papa é ir criando e modificando os meios mais eficazes para que a religião mantenha íntegra seu conteúdo e a cada vez que vai se adaptando as necessidades e circunstâncias de cada momento, deixará de ser efetiva e útil à humanidade.
Se agora queremos encontrar as correspondências do Papa, perceberemos que ele se assemelha bem com o quinto caminho cabalístico, e na astrologia, relativamente com Júpiter em Áries.




MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

Os Enamorados apresenta ao homem a encruzilhada de duas opções,  de dois caminhos: um é o caminho da incorruptibilidade que lhe conduz a sabedoria e ao verdadeiro conhecimento, mas devendo renunciar a muitos prazeres materiais; o outro é a facilidade de uma vida passiva, desejando-se levar por sua natureza inferior e tendência a uma vida aparentemente sem responsabilidades, problemas ou angustias.
No entanto e a primeira vista este arcano nos faz muitas outras perguntas. em efeito, deve-se eleger-se uma das opções, ou existe um caminho intermediário? E neste caso são ditos os caminhos ao iniciado, ao religioso e ao mundano? Não significará a presença de Cupido que nossa opção está direcionada ou predestinada do Alto, e nossa liberdade de escolha mediada total ou parcialmente, o que implica no problema da predestinação e o karma?
Examinando juntos os seis primeiros arcanos teremos as respostas para tantas perguntas. Vimos que O Mago simboliza a vontade e A Papisa a sabedoria, e sua união ou resultado era A Imperatriz, o poder, completando assim a primeira tríade do Tarot. O mesmo ocorre agora, pois se O Imperador e a religião esotérica e O Papa a religião exotérica, Os Enamorados simboliza o amor, base e fundamento de todas as religiões, completando e fechando a sua vez a segunda tríade do Tarot.
Em nossa limitada percepção da realidade não podemos evitar de pensar e sentir a realidade da nossa própria vida como algo único e verdadeiramente real, enquanto não faz parte da mesma, os demais seres nos parecem menos reais, como distintos e de menor importância; nós somos o centro da realidade e os demais devem permanecer longe do referido centro. é o que constitui o egocentrismo e a Ilusão do Eu.
A única forma de romper com a Ilusão do Eu e o egocentrismo, é o amor, introduzir outro ou outros em nosso próprio centro, deixando-os formar parte da nossa própria via e realidade; é o mais fácil é começar por amar um único ser, já que seja outro ser humana ou uma divindade, e logo deixar que o amor irradiar de nós.
Examinando isoladamente, Os Enamorados nos mostra as duas opções iniciais, a do egocentrismo e a do amor, e implicitamente nos define a tentação e sua perigosidade;mas quando o consideramos como resultado e unificação dos dois arcanos anteriores, nos mostra claramente qual é a única opção verdadeira: a rejeição da tentação e o caminho do amor que nos conduzirá a unificação conquanto existe e no último termo, a unidade com o Todo.
Desde este ponto de vista, as restantes perguntas que antes não pareciam ter respostas deixam de ser importantes pois se nos aparece com claridade deslumbrante que descartado o caminho descendente, os dois restantes são vias paralelas ascendentes cuja eleição só dependerá da personalidade de cada um, mas tanto uma como a outra nos levará a unidade com o Todo, e se a ele aspiramos realmente, carece de importância toda possível mediação desde o alto e se nos aparece o karma como uma preciosa e justa facilidade que nos outorga de corrigir uma passada ou presente eleição equivocada, e não uma injusta predestinação.
Enquanto as suas possíveis equivalências cabalísticas e astrológicas, não pode ser mais clara sua identificação com o planeta Vênus, em seu conjunto, sem uma clara separação entre suas duas regências, a de Touro e a de Libra, ou seja, como planeta da série emotiva intermédio entre a Lua e Júpiter, da mesma maneira que também se identifica parcialmente com os caminhos sexto e décimo segundo, talvez algo mais que o sexto.




MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

O número sete simboliza um ciclo completo, uma perfeição dinâmica; cada fase lunar dura sete dias e entre as quatro totalizam 28, fechando o ciclo. Mas Fílon de Alexandria para notar que a soma dos sete primeiros números (1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7) é igual a 28, e 2 + 8 = 10 = 1, o que nos remete a unidade.
Mas se o sete é o número da perfeição, é também o número de Satã (A Espiritualidade Mística de Motosofia não admite a crença no Demônio e quaisquer poderes sobrenaturais atribuídos a ele), que se esforça em copiar a Deus, e é por ele que a besta infernal do Apocalipse têm sete cabeças.
Se examinarmos detalhadamente O Carro, veremos que apesar de olha numa única direção, a mesma que o homem, os cavalos marcham diagonalmente em direções distintas; não esqueçamos que o azul se refere a espiritualidade e o vermelho as paixões e que ambas coisas dificilmente podem ir numa mesma direção; se a isto unimos o peso material da caixa do carro parece quase impossível conseguir que se avance.
Não obstante, a dinâmica nos diz que se aplicarmos duas forças distintas sobre o mesmo ponto, obteremos uma nova força que será a conjunção de ambas. Isto é o que ocorre em nosso caso, pois para alcançar que a resultante do empurre dos cavalos impulse o carro até adiante, será necessário que suas forças sejam equivalentes.
Mas também observamos que o cocheiro não empunha nem rédeas nem espada, mas um cetro amarelo, o qual nos indica que seu verdadeiro poder e capacidade de direção são de caráter mental e inteligente, e se quer alcançar a meta proposta deve ser capaz de equilibrar espiritualidade e paixões, pois se não fizer assim, dominará uma das duas condições, conduzindo até uma espiritualidade talvez ainda imatura, ou até uma paixão excessiva que pode conduzir ao abismo. Cremos que graficamente não podia representar-se melhor a anterior afirmação que o sete é por sua vez um número divino e diabólico.
Já dissemos que o sentido geral e abstrato deste arcano é da luta do homem para dominar as forças elementais e as resistências materiais mediante o exercício de seus poderes; assim pois, agora já podemos dizer que se Os Enamorados era um arcano de encruzilhada e tentação, também assim será O Carro, e se o um se centrava no amor, o outro o faz no poder e o domínio, e neste caso a tentação é usá-la egoistamente.
Se depois voltarmos a gravura, veremos que o triunfador está só, não carrega armas nem ninguém o aplaude; e se em sua solidão exerce um domínio sobre as forças mais poderosas de sua personalidade, o faz graças a sua vontade e inteligência.
E como dizia um autor autônomo alemão, o triunfo alcançado na solidão é a única gloria real, posto que não depende do favor nem o juízo humano; mas nele reside também o mais real e grave dos perigos espirituais: o do orgulho místico, a megalomania mística, o divinizar-se a si mesmo e acreditar em si mesmo escolhido; o qual é a maior tentação que outorga o ocultismo prático.
Se evita isto, o triunfador do sétimo arcano será o verdadeiro adepto ao hermetismo, e as forças opostas da espiritualidade e a paixão, da fé e da dúvida, da vida e da morte permanecerão abaixo de seu domínio, domínio que não significa vassalagem, mas aliança, equilíbrio e justiça.
Para finalizar, se buscamos suas equivalências cabalísticas e astrológicas, encontraremos notáveis coincidências com o sétimo caminho, com Geburá e com Marte, embora a dualidade e a mentalidade que encerra, faz pensar mais em um Marte em Gêmeos que em Marte puro. 





MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

Ao contrário do que foi feito com os arcanos anteriores, começaremos por referir a cabala por ser tão evidente a equivalência da Justiça com o décimo segundo caminho, já que levamos em conta o erro de Waite ao equiparar O Louco com o primeiro e administrar um lugar para todo mundo, era totalmente impossível equiparar A Força com o décimo segundo, e em troca, este se encaixa perfeitamente com A Justiça, devendo relacionar-se A Força com um caminho tensional como o nono.
A árvore da vida se compõe de três pilares: o da Misericórdia, o do Rigor e o do Equilíbrio; no Zohar se considera aos dois pilares externos como o do bem e o do mal (metafisicamente falando), que devem equilibrar-se no centro para manter a estabilidade da criação.
Aqui resulta que o mundos dos sefirot é como um sistema de balanças que atua nos quatro mundos da criação; em cada um desses mundos, menos no último – que é o resultante -, existe um sefirá de misericórdia e outro de rigor, que além de completar-se entre si desembocam, ao equilibrar-se, em outro no pilar central.
Contudo, no Mundo dos Arquétipos os dois princípios complementários de Hojmá, a Sabedoria, e Biná, a Inteligência, se equilibram entre si para dar como resultado a Daat, a consciência superior, em ordem descendente, enquanto que na ordem ascendente podemos dizer que Sabedoria e Inteligência bem equilibradas nos permitem chegar a Kéter, ao conceito da divindade.
No Mundo da Criação, Hessed, a Misericóridia, e Geburá, a Severidade, se equilibram pata conduzir-nos a Tiferet, a Beleza ou Coração de Deus, em seu sentido descendente e a Daat no ascendente.
E assim poderemos seguir com o demais Mundos.
O que desejamos ressaltar é a necessidade de compensar sempre o positivo e o negativo, a misericórdia e o rigor, o espírito e a matéria, se desejar chegar ao verdadeiro equilíbrio, que o pilar central nos leva do homem a Deus passando pela consciência, desde a inferior (Yesod) a superior (Daat) e centrada no coração de Deus (Tiferet).
Tudo isso podemos aplicar ao Tarot apesar de sua estrutura lineal, muito mais simples, e é por ele que A Justiça nos lembra que traz o triunfo do Carro, capaz de fazer-nos cair num excesso de rigor, é necessário empregar A Justiça para conseguir o necessário equilíbrio, e que este equilíbrio só encontraremos centrando-nos na nossa consciência. Mas também nos diz que a justiça segue existindo mais além desta vida, e de como nós julgamos dependerá como nos julgue, o que implica a verdade da lei kármica.
Quase óbvio, depois do que foi dito, mencionar a equivalência da Justiça com o décimo segundo caminho e com Júpiter no signo de Libra.




MEDITAÇÃO SOBRE ESTE ARCANO

Durante muito tempo O Ermitão foi um arcano cujo simbolismo resultava contraditório, pois examinando detalhadamente aparecem alguns contra sentidos. Em efeito, sendo um arcano de sabedoria e prudência, o lógico seria que aparecesse antes da Justiça, como preparação da mesma e não depois; e sendo eminentemente mental, por que o azul da espiritualidade e o vermelho dos sentimentos e paixões são as cores dominantes em detrimento do amarelo?
Na árvore da vida onde encontrei a resposta, pois aqui ocorre como um exagero do sucedido na Justiça, onde as três cores aparecem equilibradas sem o esperado predomínio do amarelo, e já vimos que era pela necessidade de equilibrar a inteligência, amor e espiritualidade.
Dentro da árvore da vida, O Ermitão só pode encontrar sua equivalência em Biná e os caminhos oitavo e décimo sexto, e e óbvio que se Biná e o oitavo caminho permanecem totalmente ao Pilar material do Rigor, e o décimo sexto se inicia em Tiferet para finalizar também no dito Pilar, movido isto ao Tarot, que já dissemos é um sistema lineal, o que se faz necessário destacar de algum modo a necessidade de não cair na tentação da paixão fria e egoísta de Saturno e se não prendermos na sua gelada mentalidade racional.
Aqui o predomínio do azul pata destacar que por cima de tudo devemos aspirar a espiritualidade abstrata de Saturno em Capricórnio, ainda quando seja como um ideal fixo em nossa mente, dado que na realidade é um patrimônio quase exclusivo dos verdadeiros iniciados.
Podíamos dizer que Os Enamorados, convertido no triunfal condutor do Carro, ao enfrentar A Justiça que lhe lembra que a lei básica do universo é a do equilíbrio, se deseja poder seguir adiante deve absorver o caminho que lhe mostra O Ermitão, o da sabedoria e da experiência, mas evitando cair na tentação da materialidade, tateando prudentemente o caminho com seu bastão e iluminando-se interiormente com a luz velada da verdade. Será assim quando desligado do mundo e suas paixões se converta no filósofo hermético capaz de alcançar a verdadeira sabedoria.
Assim pois, O Ermitão representa o método e essência do verdadeiro hermetismo, da fundação na concordância dos três métodos do conhecimento: o do raciocínio (lâmpada), o das leis de analogia (manto), e o da experiência autêntica e imediata (bastão).

Enquanto as equivalências cabalísticas e astrológicas, devemos descartar a Biná por ser a de Saturno metafísico, o arquétipo da sabedoria absoluta. Também devemos descartar o oitavo caminho por equivaler bem mais a Saturno em Câncer, seu exílio, onde sua tendência acumulativa (ainda seja de conhecimentos) perde em profundidade o que ganha na extensão e praticidade. Pois nos fica, o Saturno capricorniano, lógico e abstrato, adequado para a filosofia, a metafísica, a teologia e o hermetismo; é dizer, para o conhecimento da essência última das coisas, do fim supremo do homem: o do décimo sexto caminho.




















































































 


































O exemplo da tiragem de Três Cartas considera se está casado(a), O Sol brilha sobre a vossa vida de casal. O Imperador e A Imperatriz se olham e, por cima deles, O Sol, com suas duas crianças emparelhadas, indica que o amor que os une é profundo e sem a menor sombra.
Se não está casado(a), a pessoa que acabou de encontrar compartilha dos mesmos sentimentos e parece que serão suficientemente adultos para com partilhar uma linda história de amor.
Em resumo: Amor compartilhado.


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